Qual a relação entre os genes que levaram à cirurgia de Angelina Jolie e o câncer de próstata?

Angelina Jolie / Foto: Ryan Pfluger
Angelina Jolie / Foto: Ryan Pfluger

Nos meses do Outubro rosa e Novembro Azul, é importante falarmos destes genes.

Os mutações genéticas BRCA1 e BRCA2 associam-se ao desenvolvimento do câncer de mama e ovários em mulheres. No entanto são mutações que podem estar presentes tanto em homens como em mulheres, e já foram associadas ao desenvolvimento de outros tipos de tumor, como o de pâncreas e próstata. No entanto, diferente dos câncer de mama e ovário, mais frequentes em quem apresenta estas mutações genéticas, estes outros tumores são menos comuns.

Um recente estudo avaliou a literatura médica existente para calcular qual a associação entre estas mutações genéticas e o desenvolvimento do câncer de próstata. A boa notícia para quem tem a mutação é que a frequência de ocorrência da doença parece ser menor do que imaginava-se. Apesar de elevado, o risco de quem  tem mutação de desenvolver um câncer de próstata é 1,9 vezes maior do que o de um homem sem a mutação. A mutação específica do gene BRCA2 eleva mais este risco (2,64 vezes). 

Em contrapartida, dentre os homens com câncer de próstata o gene mutante é encontrado em 0,9 a 2,2%. Dentre os judeus Ashkenazi esta frequência parece ser um pouco maior. 

BRCA1 e BRCA2 e câncer de próstata: O que fazer se ocorre esta associação

Atualmente são facilmente disponíveis os testes genéticos para avaliar a ocorrência destas mutações. É importante a detecção da mutação por três motivos. O primeiro, para aconselhamento familiar e atenção a outros tumores que podem desenvolver-se associados a esta mutação.

O segundo, é que os tumores em quem tem o gene mutante BRCA2 tendem a ser mais agressivos (isto parece não ocorrer com o gene BRCA1). Desta forma, o tratamento deve ser mais intenso e efetivo para estes pacientes. 

E o terceiro motivo é que tem surgido medicações principalmente eficientes para pessoas com tumres associados a estas mutações, como é o caso do olaparibe. 

Prostate. 2019 Jun;79(8):880-895. doi: 10.1002/pros.23795. Epub 2019 Mar 22.