Cistite

Infecções urinárias são comuns principalmente em mulheres, sendo que a cistite (infecção da bexiga) representa a maioria destas infecções. A pielonefrite ocorre quando a infecção localiza-se no rim. Os sintomas da infecção urinária podem incluir a disúria (dor ao urinar), polaciúria (urinar com frequência aumentada), urgência miccional, hematúria (sangramento na urina), dor abdominal, dor lombar, febre e mal estar. Além dos sintomas, exames complementares, em especial o exame de urina (urina I, urocultura e antibiograma) são importantes para a confirmação do diagnóstico. Assim que possível, deve-se confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento através do uso de antibióticos adequados.

Há tratamento para quem tem cistite com frequência?

Sim, sem dúvida. As infecções urinárias recorrentes são um problema comum, e podem atrapalhar bastante, ocorrem principalmente em mulheres. O tratamento da cistite recorrente é possível e tem por objetivos reduzir ao máximo a frequência e a duração destes episódios. Diversos fatores devem ser levados em conta, e o tratamento em geral é realizado através da associação de diversas medidas, destacando-se:

1. Avaliar possíveis causas subjacentes: alguns quadros de infecções urinárias recorrentes ou mesmo persistentes podem ter fatores que, caso não sejam tratados, a infecção nunca irá melhorar. Como exemplos, destacam-se a presença de tipos específicos de cálculos renais, a presença de fístulas ou comunicações entre os tratos urinário e intestinal, presença de objetos como fios cirúrgicos no interior da bexiga, etc.

2. avaliar a ocorrência de fatores predisponentes: alguns fatores aumentam muito a chance de ocorrência das infecções, e devem ser corrigidos para otimizar a estratégia de tratamento. Dentre eles, destacam-se a presença de obstruções nas vias urinárias, alterações hormonais, deficiência de lubrificação genital, alterações neurológicas, alterações anatômicas, divertículos vesicais, etc.

3. Cuidados no dia-a-dia: Algumas medidas simples reduzem muito os riscos de ocorrência de infecções urinárias. É importante atentar a hábitos simples como evitar a retenção urinária (urinar com frequência), urinar logo após relações sexuais, cuidados com higiene, etc.

4. Caracterização das infecções: é extremamente importante para quem tem infecções frequentes caracterizar e documentar estas infecções através de exames de urina I, urocultura e antibiograma. Além de confirmar que há infecção (e não outra forma de cistite não-infecciosa), permite a identificação da bactéria e determinação do melhor antibiótico para tratá-la. Mesmo que o resultado do antibiograma seja obtido somente após alguns dias do início do tratamento, ele é útil em casos de falha no tratamento, permitindo a troca do antibiótico por outro de maneira mais precisa.

5. Pronto tratamento: o tratamento deve ser realizado tão logo possível. A sequencia ideal é realizar exame de urina e já iniciar o tratamento antes mesmo de obter-se o resultado dos exames. É mais fácil interromper o tratamento, do que tratar complicações pela demora do início do tratamento. O indivíduo que tem infecções recorrentes deve sempre ter, sob orientação médica, um antibiótico adequado à mão para iniciar o tratamento automaticamente caso iniciem-se os sintomas de uma nova infecção.

6. Medidas específicas e adicionais podem auxiliar, destacando-se o uso de Cranberry, lactobacilos, etc. Alguns fatores que predispoem às infecções não podem ser removidos. É o caso de alterações neurológicas da bexiga, usuários de sondas, etc. Contudo, diversos cuidados adicionais podem ser tomados.