Câncer de próstata com metástases: há tratamento?

O tratamento do câncer de próstata tem evoluído na última década muito mais do ABC que evolui desde 1941, quando surgiu a primeira opção terapêutica para homens com câncer de próstata metastático. Desde que o Dr. Charles Huggins demonstrou os benefícios do tratamento com bloqueio da testosterona, pouco evoluímos. No entanto, na última década vimos surgir diversas novas medicações (docetaxel, cabazitaxel, abiraterona, enzalutamida, apalutamida, darolutamida, sipuleucel-T, rádio-223, lutécio, etc.). E mais do que o surgimento de novas medicações, temos visto na última década uma organização progressiva de diversos centros mundiais e indústrias farmacêuticas no sentido de organizar grandes estudos (trials), definindo as melhores formas de aplicar cada uma destas medicações em diferentes cenários. A eficácia destes tratamentos têm aumentado progressivamente. Especificamente para casos de câncer de próstata com metástases, desde 2015 descobrimos respostas excepcionais à partir da avaliação de combinações de medicações diferentes do que habitualmente fazíamos. Os principais estudos avaliando este cenário foram os trials CHARTEED, STAMPEDE, LATITUDE, ENZAMET, TITAN, dentre outros.

Quando há metástases devemos (ou podemos) tratar o câncer na próstata também?

Até bem pouco tempo a resposta habitual para esta pergunta era um categórico não. No entanto isto mudou. Principalmente nos caos em que há um pequeno número de metástases em ossos, há um claro benefício em realizar-se o tratamento do tumor inicial na próstata também. É a situação que chamamos de doença oligometastática. Neste cenário, adicionar-se radioterapia direcionada à próstata aos tratamentos que fazemos com medicações leva a um aumento da eficácia do tratamento significativo, dependendo do cenário há um aumento de quase 10%. No último ano, desde que o estudo STAMPEDE demonstrou estes dados em algumas centenas de homens e inclusive permitiu melhor entendimento do estudo anterior, o HORRAD, podemos dizer que esta forma de tratamento já é o padrão. Ou seja, homens com câncer de próstata e poucas metástases devem ser tratados com medicamentos (bloqueio androgênico associado a apalutamida, enzalutamida, abiraterona) associado atratamento da próstata (radioterapia ou eventualmente cirurgia para retirada da próstata).

mais informações científicas: https://www.redjournal.org/article/S0360-3016(18)34222-6/fulltext