BCG para câncer de bexiga

Por que fazemos BCG para pacientes com câncer de bexiga? 

O câncer de bexiga quando detectado quando detectado em sua fase superficial (ou seja, Tis, Ta ou T1), é quase sempre curável. Contudo, o grande problema desta doença é a frequência elevada de sua recorrência. Em situações como em tumores de alto grau e principalmente quando há carcinoma in situassociado (marcadores de comportamento mais agressivo da doença), os índices de recorrência do câncer podem ser de cerca de 70%, o que é bastante elevado. 

O Bacillus de Calmette Guérin 

Em 1921 os franceses Albert Calmette e Jean-Marie Camille Guerín desenvolveram através de cultura em batatas uma forma de bactéria atenuada (Mycobacterium bovis)  que poderia ser usada como vacina para a tuberculose (causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis). A cultura dos bacilos atenuados foi possível após seleção progressiva durante 13 anos de pesquisa, quando as cepas atenuadas já não podiam mais causar doença. O Instituto Pasteur, na França, distribuiu então a bactéria para distintos laboratórios no mundo para o desenvolvimento de vacinas para tuberculose, chamada de BCG. O BCG cultivado nos diferentes laboratórios do mundo ao longa das últimas décadas deu origem a distintas cepas do bacilo de Calmette-Guérin. Atualmente há cinco cepas principais, que representam 90% da BCG no mundo ( Pasteur 1173 P2, Danish 1331, Glaxo 1077, Tokyo 172-1, Russian BCG-I, Moreau RDJ)Cada cepa tem suas peculiaridades e concentrações distintas de micobactérias (ex.: Pasteur e Danish levam a mais efeitos adversos). 

O BCG e o câncer de bexiga 

Em 1976, no Canadá, Morales utilizou pela primeira vez a BCG para o tratamento do câncer de bexiga. Estudos subsequentes confirmaram a eficácia do BCG em reduzir a recorrência do câncer de bexiga. Surgia ainda uma forma de tratamento para o carcinoma in situda bexiga, antes tratado através da remoção da bexiga. Após diversos estudos, o FDA nos EUA aprovaram o uso do BCG para tratamento do câncer de bexiga em 1990. 

O protocolo de utilização mais empregado mundialmente é constituído por duas fases, chamadas de indução e manutenção. O grupo de estudo SWOG (Southwest Oncology Group) foi quem mais estudou a melhor forma de aplicação do BCG, e mostrou um benefício do tratamento nestas duas fases.. A indução é quando induzimos a resposta imunológica responsável pelo efeito da BCG. É composta de aplicações semanais durante 6 semanas. A manutenção subsequente é realizada através de aplicações (semanais por 3 semanas a cada 3 meses durante 1 a 3 anos).

Desta forma, a BCG reduz em 35% o risco de progressão do carcinoma in situ e em 50% o risco de progressão (invasão de camadas mais profundas) do carcinoma superficial da bexiga.