Tratamento da balanite xerótica obliterante e carcinoma in situ de penis

A balanite xerótica obliterante e o carcinoma in situ de penis são doenças distintas e relativamente raras, mas que trazem grandes transtornos para quem delas padece. Reproduzimos abaixo  nossa experiência com técnica com potencial curativo destas doenças, de acordo com nossa variação técnica, com excelentes resultados. Este material será apresentado no Congresso Brasileiro de Urologia de 2017.

Introdução:  O Brasil, principalmente nas regiões norte e nordeste possui alta incidência de câncer de penis, entre eles a variante carcinoma de células escamosas (CEC) é a mais frequente. Mais da metade desses tumores se localizam na glande, e cerca de 25% são Cis. Há distintas possibilidades de tratamento para os diferentes estágios da neoplasia. Sempre que possível, contudo deve-se tentar a preservação da função do órgão, garantindo-se uma cirurgia com ressecção oncológica total.

Objetivos: —Demonstrar técnica de resurfacing realizada para o Cis multifocal de glande

—Métodos:  A técnica de ´resurfacing’ foi descrita em 2000 por Depasquale para o tratamento de balanite xerótica obliterante, e ao observar posteriormente em estudo anatomopatológico Cis com margens livres e cura oncológica, também esse método com uma alternativa de tratamento neste estágio do CEC. Descreve-se nesse trabalho técnica utilizada para a preservação de órgão em Cis multifocal de glande. Como variação da técnica descrita retiramos o enxerto da região abdominal com fechamento primário do leito cirúrgico, evitando-se um maior período de recuperação da área doadora, como ocorre com enxertos de pele parcial.

Discussão/Imagens:  A epiderme da glande peniana é ressecada circularmente, desde o sulco balano-prepucial até meato uretral onde preserva-se pequena mucosa ao redor do meato. Esse procedimento é realizado com torniquete (sonda de penrose®). Toda derme e epiderme é retirada. Optamos por enxerto de pele total, retirada de região supra púbica, em fuso. Após retirado, o enxerto é adelgaçado em bancada para retirar os folículos pilosos e o tecido subcutâneo. A pele é enxertada sobre a área cruenta, com fenestrações e realizada síntese com pontos inabsorvíveis 5-0, fixando-se curativo de Brown. Mantemos sonda uretral e curativo compressivo no enxerto por pelo menos 5 dias.

Conclusão:—    A técnica de resurfacing é uma boa alternativa para o tratamento do Cis de glande, permitindo a preservação do órgão e excelente resultado estético.  Deve-se manter estrita vigilância quanto aos aspectos oncológicos a longo prazo